20/01/2015

5 enormes avanços médicos nascidos de erros ainda maiores

Há um entendimento tácito por trás de cada avanço médico, sejam eles transplantes de órgãos, cirurgias complicadas ou vacinas para a erradicação de doenças – um monte de pessoas tiveram que morrer por nós para descobrirmos essas coisas. E embora seja verdade que não se pode fazer um omelete sem quebrar alguns ovos, há alguns pioneiros da pesquisa médica que, sem dúvida, esmagaram muito mais dúzias do que o necessário para chegar a suas descobertas que mudaram o mundo.

O que queremos dizer com isso? Bem…

5. Odontologia moderna foi construída sob tortura

Ninguém gosta de ir ao dentista, por isso, em um momento ou outro, provavelmente todos nós já assumimos que a profissão começou como um desafio entre dois enfermeiros patológicos de manicômios. Naturalmente, nós não acreditamos nisso de verdade. Afinal, dentistas são apenas profissionais médicos com as melhores das intenções, certo?

Na Suécia, na virada do século XX, alguns cientistas foram incumbidos de encontrar uma solução para problema incapacitante de cáries dentárias no país. Os melhores profissionais de odontologia da Suécia visitaram hospitais psiquiátricos locais buscando cobaias de pesquisa para a criação de um estudo de 10 anos sobre a origem da cárie dentária, já que naquela época “consentimento informado” não se estendia às pessoas com “febre cerebral”. Os loucos eram tratados como bonecos de treinamento para a comunidade médica.

Os cientistas suecos tinha uma suspeita de que a cárie dentária estava diretamente ligada ao consumo de açúcar. De modo a testar essa teoria, injetaram uma enorme quantidade de açúcar nas dietas de seus sujeitos de pesquisa, para ver como ele destruía seus dentes. Os pesquisadores alimentaram seus cobaias com doces e refrigerantes, até mesmo injetando açúcar no pão dos doentes, para acelerar a taxa sob a qual seus dentes ficavam podres e viravam esponjas negras em suas bocas.

A experiência continuou durante dois anos. Não há nenhum registro sobre a forma como muitas das vítimas deste experimento possam ter desenvolvidos sérios problemas de saúde a longo prazo (como diabetes, no mínimo, para não mencionar o fato de que a cárie dentária pode levar a outros tipos mais graves de problemas de saúde). Também não está claro se algum deles ganhou uma luva em formato de galo de presente ao final das consultas.

Apesar da natureza criminalmente antiética da coisa toda, a descoberta de uma conexão definitiva entre o açúcar e a cárie dentária fez nascer uma revolução na saúde dental da Suécia, e ajudou a formar o nosso conhecimento atual de higiene oral em geral. Então, sim, um dos pilares da odontologia moderna foi construído com a tortura de pacientes mentais.

4. Psicologia infantil foi desenvolvida atormentando macacos

Para dizer o mínimo, o psicólogo Harry Harlow não nutria amor pelos animais – ele declarou que não se importava com macacos, gatos e cães. Ele expressou sua insatisfação com o reino animal submetendo bichos a testes de laboratório com métodos brutalmente extremos, incluindo ferramentas científicas como “porta-estupro” e “poços de desespero” (termos usados pelo próprio Harlow para descrever seus dispositivos).

Há teorias de que as técnicas de pesquisa desnecessariamente horríveis de Harlow praticamente sozinhas deram origem ao movimento de libertação animal.

Será que ele era apenas um lunático que torturava animais para a ciência porque seu salário não permitia que fosse um assassino em série?

Embora isso possa ser parcialmente verdadeiro, havia realmente um objetivo para os experimentos macabros de Harlow: sua pesquisa foi crucial para o desenvolvimento da psicologia infantil moderna.

Em um esforço para provar que o amor dos pais é mais importante para um ser humano do que necessidades básicas como comida e água, Harlow criou um grupo de macacos de teste e os isolou de seus pais biológicos. Ele, em seguida, os colocou em gaiolas com dois espaços, uma com um aterrorizante macaco feito de malha de arame que dava leite por um mamilo horrível, e o outro por um macaco de madeira, aquecido e envolto em um pano macio, mas sem leite para dar.

Harlow forçou os indivíduos a viver nessas gaiolas por meses a fio. O que ele descobriu foi que a maioria dos macacos jovens evitava a assustadora mãe de arame, apesar de ela garantir sua sobrevivência, favorecendo o boneco de madeira mais fofinho, mesmo que isso significasse que passariam fome.

Esta experiência serviu para validar as teorias psicológicas mais importantes da época – que as crianças priorizam o conforto e o apego às suas necessidades físicas (como a nutrição). Esta informação foi considerada por conselhos de acolhimento de crianças em todo o mundo e influenciou diretrizes de assistência às crianças carentes. Especificamente, levou à ideia de que as crianças estariam muito melhor se fossem enviadas para um ambiente familiar seguro com pais adotivos em vez de permanecer em uma instituição estatal, onde apenas as suas necessidades básicas eram atendidas.

Parece insano que precisamos de um cientista sádico para descobrir isso, mas às vezes é assim que o mundo gira. Harlow realmente estava tentando fazer uma contribuição duradoura para o bem maior. O fato de que sua pesquisa se alinhou diretamente com o seu ódio irracional dos animais foi apenas um acidente.

3. Transplantes entre espécies nasceram de uma aposta

O transplante entre espécies – literalmente transplantar um órgão doado de um animal em um ser humano – pode muito bem ser uma solução para a escassez de órgãos em todo o mundo. E fizemos alguns avanços nesse sentido. A cirurgia de coração, muitas vezes usa válvulas e outros elementos transplantados de corações de porco ou vaca – e quase nenhum dos pacientes se torna um vilão meio-humano de desenho animado.

O problema no caminho de um transplante de órgão completo entre as espécies é que desenvolver e aperfeiçoar o processo exigiria experimentação humana com uma taxa de mortalidade grotescamente alta, e poucos médicos querem ser lembrados como a pessoa que matou 80 pacientes durante a tentativa de lhes dar rins de macaco.

No entanto, Keith Reemtsma não dava a mínima para colocar a vida das pessoas em perigo pelo bem da ciência. Ele era um cirurgião de transplantes enormemente talentoso que também pode ter sido louco, e em 1963 acabou gerenciando o atendimento de 13 pacientes terminais que precisavam de doações de rins. Infelizmente, rins viáveis eram extremamente escassos e a diálise ainda não tinha sido inventada. Além disso, com a mais fina das ironias, Reemtsma dizia não se sentir confortável em realizar transplantes de rins humanos vivos, devido a “razões éticas, científicas e legais”. Esta é outra maneira de dizer que ele não poderia ter dado a esses pacientes rins humanos, mesmo que tivesse órgãos sobrando.

Então o médico fez o que qualquer homem razoável de ciência teria feito: pegou um monte de rins de chimpanzés e os implantou nos pacientes. Se você está se perguntando onde ele conseguiu tantos rins de chimpanzés em curto prazo, a resposta são programas espaciais e circos – e não, isso não é uma piada. Parece que macacos que deixaram de ser úteis como artistas ou astronautas podem ser executados com um telefonema.

A cirurgia foi uma tragédia quase imediata para a maioria dos pacientes, os quais morreram dentro de semanas após receber os órgãos dos nossos colegas primatas, devido a infecções de seus corpos rejeitando o tecido alheio. Mas um professor de 23 anos sobreviveu durante nove meses depois do transplante, antes de morrer de um desequilíbrio eletrólito catastrófico (o Gatorade ainda não tinha sido inventado).

Embora ninguém tenha vivido uma vida longa e gratificante depois de ter órgãos de chimpanzés enfiados em seus corpos, o experimento de Reemtsma conseguiu provar que transplantes interespécies eram possíveis uma vez que a tecnologia médica alcançasse a ideia. Se um dia chegarmos a andar por aí com olhos de avestruz e fígados de crocodilo, podemos agradecer ao Dr. Reemtsma por ser corajoso o suficiente para sugerir roubar vísceras de animais.

2. Ginecologia moderna foi desenvolvida com a prática cirúrgica em escravas

A pessoa mais diretamente responsável pela ginecologia em seu estado moderno é J. Marion Sims, um médico do século XIX que descobriu tratamentos e técnicas que são usados ainda hoje. No entanto, Sims era um homem branco rico vivendo no sul dos Estados Unidos, que é outra maneira de dizer que ele testou suas técnicas experimentais nas numerosas escravas que possuía.

Para ser justa, há alguma controvérsia a respeito do consentimento das escravas para a realização dos procedimentos, mas o fato é que Sims desenvolveu e aperfeiçoou suas técnicas nelas antes de usá-las em mulheres brancas em um cenário clínico real. Além disso, ele só era obrigado a ter o consentimento dos proprietários dos escravos (que, em alguns casos, significava que só precisava ter o seu próprio consentimento). O médico também não acreditava no uso da anestesia, porque não achava que a cirurgia para reparar fístulas vaginais (rupturas na vagina e/ou ânus, que podem ocorrer durante o parto, levando à dor crônica e problemas urinários) era dolorosa o suficiente para exigi-la.

Algumas das pacientes de Sims foram operadas mais de 10 vezes antes de ele estar satisfeito com a sua técnica (uma escrava particular foi submetida a mais de 30 operações – tudo sem anestesia). Uma vez que eram suturadas, as negras eram livres para viver suas vidas com dores terríveis e debilitantes. Pelo menos até que os pontos se abrissem ou que sofressem algum outro ferimento ao serem jogadas de volta numa vida de trabalho escravo.

Assim, embora seja verdade que Sims leva o crédito por “inventar” a ginecologia, curar fístulas urogenitais, inventar a cirurgia da vesícula biliar e influenciar substancialmente o procedimento cirúrgico moderno, ele ainda era um grande idiota. Se não por outra razão, por ter decidido que cirurgia genital não era uma causa o suficiente para anestésicos (quando, na verdade, ela é possivelmente a melhor causa), e por ter testado as cirurgias nas suas escravas, independente do fato de elas estarem precisando das operações (caso esse fosse o caso).

1. A vacina da gripe foi testada em doentes mentais

A descoberta das vacinas é um dos avanços médicos mais importantes da história da humanidade. A teoria das vacinas foi desenvolvida pelos pesquisadores Jonas Salk (foto acima) e Thomas Francis Jr.

Salk confiava tanto que a vacinação seria eficaz que testou a técnica em si mesmo, na sua esposa e nos seus três filhos (“confiança” e “falta de escrúpulos” muitas vezes se sobrepõem nas páginas da história médica). Mas a arrogância do cientista não terminou aí. Durante seu trabalho na vacinação contra a gripe comum, Salk e Francis precisavam de estudos de caso para provar que a vacina da gripe era eficaz, mas encontraram dificuldades em achar voluntários dispostos a ter uma agulha cheia de mistério científico sendo injetada em suas veias.

Assim, os pesquisadores foram atrás de um grupo de pessoas que não podiam dizer não, legal e literalmente – doentes mentais (nossos amigos suecos não estavam sozinhos). A partir de 1942, Salk e seu parceiro começaram a administrar vacinas contra a gripe em pacientes mentais de um sanatório de Michigan. E, em seguida, para provar que elas funcionavam, deliberadamente infectaram estes pacientes com a gripe para mostrar como milagrosamente não eram afetados. Eles faziam isso obrigando os pacientes a inalar um fluido cheio de vírus.

Devemos lembrar que a gripe mata mais de dezenas de milhares de pessoas por ano, então a contribuição foi importante, apesar de toda a questão do “usar seres humanos como cobaias relutantes”.

No entanto, a campanha influenciou as pessoas em favor da vacinação e, em matéria de história e ciência médica, Salk e Francis têm reputações esterlinas, exceto por uma vez que decidiram ser supervilões.

1 comentário:

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