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04/08/2016

Filosofia na Católica Braga atribui bolsas de estudo


A fim de incentivar o estudo da Filosofia, a Univ. Católica Braga atribuirá bolsas de estudo aos alunos da Licenciatura em Filosofia.
Cada bolsa equivale a 75% do valor da propina mensal.
Mais informações no endereço - http://ffcs.braga-ucp.com/index.php/l...
Blog do Curso de Filosofia - http://filofacfil.blogspot.pt/
O Curso de Filosofia no Facebook - https://www.facebook.com/pages/Licenc...
A UNIV. CATÓLICA ENSINA FILOSOFIA, EM BRAGA, HÁ MAIS DE 70 ANOS.


25/07/2016

Sou de Humanas/ Letras, mas sei contar

Brincadeiras à parte, essa rivalidade entre Humanas e Exatas não é produtiva, pois traz consigo os estereótipos e preconceitos socialmente perpetuados

Uma pessoa paga suas compras. Ela ouve o valor, entrega o dinheiro e espera ser liberada. O atendente da loja sorri com certo constrangimento e diz que está faltando determinada quantia. A pessoa se desculpa: sou de Humanas (Letras), e entrega o que falta. Todos riem. Situação comum. Piada ordinária. Em contrapartida, é difícil encontrar algum profissional de Exatas se desculpando por não saber a ortografia de uma palavra, por exemplo. Ele não sente vergonha de sua área de conhecimento, socialmente prestigiada. Os de Humanas é que não sabem contar, vivem numa realidade alternativa, repleta de alucinógenos e miçangas, veem suas disciplinas “inúteis” ameaçadas de serem cortadas de currículos para dar espaço às “mais importantes” (...)

Toda família se orgulha de ver suas proles passarem para universidades públicas em Medicina, Engenharia, Direito, etc. Quando a notícia é de que o jovem decidiu seguir a carreira em História, Filosofia, Letras, ou pior, Música, Artes Cênicas, a reação costuma ser bem diferente. Frases desestimulantes como “Mas você é tão inteligente, poderia escolher qualquer profissão!”, “Isso não serve pra nada” e “Vai ganhar mal” são frequentes. Como se satisfação pessoal não contasse para nada. Como se não houvesse possibilidade de sucesso em qualquer profissão. Como se toda área de conhecimento não fosse válida. Como se, no final das contas, todos não fossem morrer e ir para o mesmo buraco, inevitavelmente, e isso não fizesse a menor diferença.

Desde o seu reconhecimento como ciência, os estudos voltados às humanidades lutam para manter a respeitabilidade académica. Dentro de uma lógica capitalista utilitarista, é difícil provar que a arte tem seu valor. Os valores, entretanto, podem mudar. Na Grécia Antiga, médico era profissão de escravo, enquanto filósofo era uma das funções mais valorizadas. Os grandes pensadores, aliás, não se limitavam a estudar apenas uma área, atuavam em várias vertentes, passando de números a letras. Na modernidade, a delimitação rígida das disciplinas engessou o pensamento. Apesar de a interdisciplinaridade ser atualmente defendida, poucas ações são postas de fato em prática. O ensino se mantém tradicional, tecnicista, pouco atrativo. Os alunos decoram a matéria para passar, obtendo o mínimo que lhes é exigido. Quando muito, identificam-se com uma das áreas e passam a odiar as outras.

Com isso, só formamos pessoas rasas e frustradas, que acreditam que dinheiro e prestígio preencherão o vazio deixado pela falta de interesse pessoal nos estudos, no trabalho. Dinheiro e prestígio deveriam ser consequências naturais de um desempenho profissional de qualidade, não de uma escolha baseada em cobranças sociais. Não existe caminho fácil. Podemos tentar pelo menos tomar aquele que nos traz um mínimo (ou um máximo) de satisfação. E ser respeitados por isso.

Todas as profissões são dignas. Todo conhecimento é legítimo. Nenhuma ciência é de fato exata, pois sempre lida com hipóteses. Brincadeiras à parte, essa rivalidade entre Humanas e Exatas não é produtiva, pois traz consigo os estereótipos e preconceitos socialmente perpetuados. Sim, sou de Humanas. Me orgulho disso. E sei contar. Obrigada.

Adaptado de:
Fontes: http://homoliteratus.com/sou-de-humanas-mas-sei-contar/

18/03/2016

Ensinar filosofia para crianças fez com que elas aprendessem matemática e leitura mais rápido

Alunos estudaram questões filosóficas como verdade, justiça e conhecimento. E isso impactou em outras disciplinas

 

A Filosofia tem um impacto positivo no aprendizado dos estudantes - e não apenas em conceitos da própria disciplina. Uma pesquisa conduzida no Reino Unido pela Education Endowment Foundation, ONG dedicada à educação para famílias de baixa renda, mostrou que crianças que tiveram Filosofia na escola aprenderam matemática, leitura e escrita (de inglês) mais rapidamente.

O estudo contemplou 3 mil crianças entre nove e dez anos em 48 escolas espalhadas pela Inglaterra que tiveram aulas de Filosofia por um ano.

Os resultados indicam que os alunos avançaram o equivalente a dois meses de aulas no aprendizado. Crianças que tinham dificuldades de aprendizado evoluíram ainda mais: quatro meses em leituras, três meses em matemática e dois meses em escrita.

Segundo os professores, as crianças também se mostraram mais abertas a ouvirem os colegas e ficaram mais confiantes. Além disso, dois anos após a conclusão do experimento, os alunos continuaram a mostrar mais facilidade nos estudos.

31/01/2015

Bélgica discute papel da Religião nas escolas

País está dividido entre manter a tradição educacional, adotar o modelo francês que oferece apenas aulas de Cidadania ou adicionar a nova disciplina ao currículo escolar


Depois dos recentes ataques terroristas em Paris realizados por radicais islâmicos da Al-Qaeda e do EI, além das ameaças desmanteladas pela polícia belga em Bruxelas e Verviers, a Bélgica discute agora o que fazer com o ensino de Moral, Filosofia ou Religião nas escolas. Na capital belga (Bruxelas) e na Valônia (região sul da Bélgica), a coalizão de poder entre os partidos Socialista (PS) e o Centro Democrata Humanista (CDH) estuda instaurar um curso comum de Educação para Cidadania em 2016 nas escolas públicas a partir do primário. O governo está preocupado em melhorar a integração social em cidades onde residem não só belgas flamengos (de língua holandesa) e valões (de língua francesa), mas também imigrantes e refugiados de todos os continentes.

Na Bélgica, seja na escola pública ou particular, crianças e adolescentes estudam pelo menos duas horas por semana de Moral, Filosofia ou Religião (catolicismo, protestantismo, islamismo ou judaísmo). O país se encontra agora bastante dividido entre manter a tradição educacional; adotar o modelo francês que oferece apenas aulas de Cidadania; ou adicionar a nova disciplina ao currículo escolar.


Uma pesquisa realizada pela Federação das Associações de Pais de Educação Oficial (Fapeo) com diretores, professores e pais indicou que 54% dos entrevistados não apoiam o fim de aulas de Religião, Moral e Filosofia. Ao mesmo tempo, 54% aceitariam trocar esses cursos por outro de formação cidadã. A ministra para Educação na Valônia, Joelle Milquet, se posicionou contra acabar totalmente com as aulas de Moral, Filosofia ou Religião. "O problema são os extremistas. Não são as religiões", afirmou.

Tradução da charge de Kroll:

- Senhor diretor, meus pais me colocaram em Moral, mas eu quero assistir Religião. Mas não sei qual.

- Senhor, eu creio que não creio mais. Posso trocar?

- Senhor, posso ir ver como é com os muçulmanos?

- Senhor, por que são sempre os judeus que temos aulas no quarto andar?

09/01/2015

"O que se paga aos professores é uma vergonha"

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Alexandre Soares dos Santos defende que o Estado pague melhores salários aos funcionários mais qualificados. Para motivá-los.


"O que se paga a um reitor e aos professores é uma vergonha", afirmou  Alexandre Soares dos Santos. "Não se pode esperar desta gente motivação para mudanca", completou. 

"O importante é que haja uma política de remuneração do Estado", prosseguiu. "Esta história de que um salário de cinco mil euros, ou uma pensão de quatro mil, é milionário... por amor de Deus, vamos acabar com isso", desafiou. 
Na sua intervenção, Soares dos Santos afirmou ainda que o que interessa, para além dos ciclos políticos, é que existam estadistas. "Os sindicatos andam na televisão a fazer shows que não resolvem nada. Tenho 18 netos e nunca discuti política com eles. Alguma coisa está errada na formação deles." 
O que Soares dos Santos defende é que as empresas não devem depender do Estado. "Nós, empresas, queremos ser independentes, queremos ser livres. E para isso temos de ser responsáveis". O que se relaciona antes de mais com as pessoas que lá trabalham: "Uma empresa que não tenha recursos humanos competentes está simplesmente condenada a não avançar. O recurso humano para mim é mais importante que o capital."

Especialista em Educação da OCDE criticou a "cultura da nota" em Portugal


Num encontro promovido pelo Conselho Nacional de Educação, Paulo Santiago defendeu que, entre os alunos mais novos, o ensino devia estar mais focado na avaliação formativa.

Um especialista da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE)OCDE defendeu esta segunda-feira que, entre os alunos mais novos, o ensino em Portugal devia estar mais focado na avaliação formativa, que consegue detectar as necessidades dos estudantes, do que na avaliação sumativa. Paulo Santiago criticou a cultura portuguesa de "excessiva atenção e preocupação [com] as notas e classificação dos alunos", durante um encontro em Lisboa, sobre a avaliação no sistema de ensino, promovido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE).
"A cultura da nota está instalada em Portugal e demora anos a mudar. Há a pressão dos pais que não entendem a mudança para as notas qualitativas", lamentou o analista da Direcção de Educação da OCDE. Segundo um estudo daquela organização sobre políticas nacionais de avaliação, aplicadas em 28 países, "a avaliação formativa evita a excessiva atenção [centrada] nas notas e na classificação dos alunos, que infelizmente ainda acontece em Portugal", disse Paulo Santiago. Já a avaliação formativa permite "diagnosticar as necessidades de aprendizagem dos alunos e oferecer um 'feedback' em tempo real", sublinhou.