28/07/2016

Pequena enciclopédia SUPER de filosofia

O problema é que, nesse tempo todo, acabou criando um monte de palavras difíceis. Mas fique calmo: agora você vai entender o que elas significam


Cartesianismo: Duvidar de tudo, negar tudo que não resiste à dúvida, como queria o francês René Descartes , o principal dos filósofos modernos. No livro Meditações Metafísicas, de 1641, Descartes propôs que todo conhecimento começasse de volta, do zero, recusando todos os “argumentos de autoridade”, aquilo que o homem acreditava por tradição ou por imposição de alguma autoridade ou religião. Para perceber o impacto da idéia, basta saber que, depois de Descartes, o mundo passou a viver séculos de revoluções em várias áreas, botando abaixo tudo o que não resistia à dúvida, seja a idéia de que a Terra é o centro do Universo, seja a de que os reis são pessoas superiores. Para o historiador francês Alexis de Tocqueville, a Revolução Francesa, por exemplo, foi “feita por cartesianos que saíram das escolas e desceram à rua”. Se você usa uma camiseta com o Che Guevara, mude já a estampa: revolucionário mesmo foi Descartes e sua idéia de duvidar de tudo.

Cinismo: Doutrina de filosofia grega que considerava a honestidade o único requisito para a felicidade. Único, mas único mesmo: os cínicos eram filósofos-mendigões, ascetas radicais que não estavam nem aí para roupa, dinheiro, família, costumes, tradição e higiene. Viviam conforme a natureza, como cachorros vira-latas, e não apenas aceitaram o rótulo como tomavam o bicho como símbolo de sua idéia de virtude, daí o nome (do grego cyon, “cachorro”). Diógenes (412-323 a.C.), o maior dos cínicos, era realmente um morador de rua e teve várias histórias famosas: quando perguntaram a ele como resistir aos desejos da carne, ele se masturbou em público e disse: “Se ao menos eu pudesse matar minha fome esfregando a barriga...” Quando Alexandre, o Grande, perguntou a Diógenes se podia lhe fazer algum favor, o cínico respondeu: “Sim, saia da frente do meu sol”. A fama dura até hoje.

25/07/2016

Aviso: Os livros que podem curar doenças

Ella Berthoud e Susan Elderkin sugerem livros para tratar os mais variados padecimentos que afligem as nossas vidas, mas há legítimas suspeitas de que não possuem habilitações para passar receitas

Em O consolo da filosofia (publicado originalmente em 2000 e editado em Portugal pela D. Quixote), Alain de Botton recorreu a filósofos célebres para dar resposta a problemas prosaicos que podem afligir qualquer um: Sócrates para a falta de popularidade (um padecimento que se reveste de maior gravidade na era do Facebook do que na Grécia Clássica), Epicuro para a falta de dinheiro (assunto intemporal, com ou sem políticas de austeridade), Séneca para a frustração, Montaigne para a “inadequação” (a palavra inglesa “inadequacy” é de difícil tradução e pode ser entendida como a incapacidade para enfrentar situações ou a vida em geral), Schopenhauer para os desgostos amorosos ou Nietzsche para enfrentar dificuldades.

O livro está elaborado com sageza e humor e a filosofia não é abastardada por aproximar-se do comum dos mortais e dos seus comezinhos problemas e ao ser vertida em linguagem clara e acessível – o que não impediu que Botton fosse rotulado, pejorativamente, de “filósofo pop”, por ter retirado a filosofia da sua torre de marfim e da sua teia de elucubrações abstrusas e de lhe ter devolvido a sua função primordial de dar resposta às indagações fulcrais da existência: como viver uma vida boa e justa? Como encontrar nela um sentido?

Em Remédios literários: Livros para salvar a sua vida, de A a Z(Quetzal), Ella Berthoud e Susan Elderkin, ensaiam abordagem análoga, recorrendo não à filosofia mas à literatura.


O que vem a ser isso da literatura?

Para Berthoud & Elderkin, literatura não inclui poesia nem ensaio ou memórias ou alguma forma de não-ficção. Mesmo na ficção, não há lugar para contos – só para romances. E entre estes é evidente uma preferência por obras de autores anglo-saxónicos.

O divórcio entre ciência e filosofia

O cientificismo positivista é uma filosofia geral, que afirma que o “ser” das coisas reais corresponde a seus aspectos mensuráveis. Mas, filosoficamente, isso é sustentável?

Filosofia e ciência são sinónimos na Grécia Antiga, significando a epistéme, saber rigoroso, lógico-conceitual, em contraposição à “opinião” irrefletida, fruto da impressão subjetiva. Este saber se caracteriza pela oferta de razões acessíveis, em princípio, a todos (que estejam dispostos a investigar seriamente a realidade), não se baseando mais, como no mito, na autoridade do poeta ou do sacerdote, mas naquela da inteligência.

Aristóteles distinguiu entre a “filosofia primeira” (“metafísica” ou “ontologia”), que estuda os princípios gerais da realidade, e as “filosofias segundas” (que dariam nas nossas ciências empíricas), que estudam os diversos setores da realidade: a psicologia, a matemática, a física, a biologia etc.

Realidades como o amor e a liberdade podem ser investigadas ou decididas apenas do ponto de vista da ciência empírica?

Nos séculos 13 e 14, na Universidade de Oxford, começa-se a valorizar o conhecimento experimental, e a filosofia nominalista abandona a metafísica das “essências universais”, passando o “conceito” a ser símbolo lógico de realidades singulares semelhantes, preparando-se, assim, o pensamento matematizante cujo marco seria, no século 17, a teoria heliocêntrica de Kepler, e que teria seu paradigma nos Princípios Matemáticos da Filosofia Natural de Newton.

No século 19, a filosofia positivista estabeleceu que apenas o conhecimento matemático-experimental é verdadeiro, e que a metafísica não teria valor cognoscitivo. A filosofia passa a ser, então (na realidade, desde Kant, no século 18), mera teoria da nuova Scienza, sem um objeto próprio.

O objeto da filosofia, enquanto “ontologia”, deixou de existir? O cientificismo positivista é uma filosofia geral, que afirma que o “ser” das coisas reais corresponde a seus aspectos mensuráveis. Mas, filosoficamente, isso é sustentável? Realidades como o amor, a liberdade, a moralidade do aborto, a inteligência etc. podem ser investigadas ou decididas apenas do ponto de vista da ciência empírica?

Quando isso ocorre, o resultado é, por exemplo, a aplicação da estatística aos problemas éticos: “válido” passa a ser “o que se faz”, e não “o que deve ser feito”; assim, já que, de qualquer forma, aborta-se, as vidas em jogo (das mães e dos bebês) passam a ser uma questão “quantitativa”, de “saúde pública” (cada vida humana inocente já não tem mais uma dignidade infinita). Em outro exemplo, o problema da consciência, que na filosofia tem um tratamento riquíssimo, é reduzido aos aspectos físico-químicos dos atos conscientes; ignora-se a diferença entre os aspectos empíricos da consciência, como as qualidades sentidas, e o seu caráter “real” inteligível, como se a intelecção fosse mera computação de dados sensíveis, e não a percepção das imagens configurando – na própria sensação – um “algo” que excede aqueles dados e que não se reduz a estímulo para uma resposta animal; percepção sem a qual a liberdade humana seria uma ilusão, pois estaríamos totalmente determinados pelas leis da natureza.

É preciso encontrar um link entre ontologia e ciência. Esta não pode pretender captar absolutamente a realidade, que não se reduz à “extensão” (mesmo porque isso já seria uma tese filosófica), e a filosofia não pode prescindir dos conteúdos e problemas das ciências, que lhe subministram, além da experiência humana ordinária, base empírica para uma especulação metafísica mais rigorosa.

Joathas Soares Bello, doutor em Filosofia pela Universidade de Navarra, é professor da Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro, do Instituto Filosófico e Teológico da Arquidiocese de Niterói, do Seminário da Diocese de Nova Friburgo e da Faetec-RJ.

Fontes: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/odivorcio-entre-ciencia-e-filosofia-eu1gmql04wre0goy2f9uxtf2x

Poesia e filosofia, ontem, hoje e amanha

“No princípio era o Verbo”, diz a abertura do Evangelho de João sobre a criação do universo. O cosmos sobre o qual nos debruçaremos doravante, todavia, não o bíblico, mas os poético e filosófico. E em relação a estes, portanto, que trouxemos frase do apóstolo. A poesia e a filosofia têm um extenso ontem a ser rememorado; um justo hoje a ser intuído; e um aberto amanhã aberto diante do qual podemos apenas vaticinar. Pensar a poesia e a filosofia, a relação de cada uma delas com a vida e com o tempo, e sobretudo delas duas entre si, eis o que este ensaio pretende fazer.

Sabemos que a poesia precedeu a filosofia. Então, se “no princípio era o verbo”, esse verbo primordial foi poético. Muito antes de homens filosofarem naquelas ilhas gregas da antiguidade, Hesíodo, um camponês que vivia nas proximidades de Téspias, na Beócia, em suas próprias palavras, uma aldeia amaldiçoada, cruel no inverno, penosa no verão, jamais agradável, já poetizava sobre a vida simplesmente ao dizê-la. Homero, autor da Ilíada e da Odisseia, foi outro antigo grego que verbalizou poeticamente o mundo.

E a poesia bastava! Mais do que isso, fazia sobrar interfaces para a humanidade entender o real e para este compreendê-la. Tanto que os primeiros homens que, posteriormente, foram chamados de “os primeiros filósofos”, quais sejam, os pré-socráticos, muitos deles se valiam do assaz naturalizado estilo poético para dizerem da realidade por uma via outra que não estritamente poética. Estes, todavia, poetas puros não eram mais.

Essa hibridismo entre poesia e filosofia fica claro no poema do filósofo Parménides de Eléia, Sobre a natureza, no qual o pré-socrático, valendo-se da tradição poética de seu tempo e fazendo com que seres míticos, velhos personagens da poesia, iniciassem a conversa com o leitor, apresentando no entanto a questão filosófica da qual trataria sem, digamos assim, causar estranheza. Não esqueçamos de que estamos falando de uma sociedade absolutamente tradicional, onde a mudança era vista com maus olhos Tanto chamavam-na de corrupção!

Sou de Humanas/ Letras, mas sei contar

Brincadeiras à parte, essa rivalidade entre Humanas e Exatas não é produtiva, pois traz consigo os estereótipos e preconceitos socialmente perpetuados

Uma pessoa paga suas compras. Ela ouve o valor, entrega o dinheiro e espera ser liberada. O atendente da loja sorri com certo constrangimento e diz que está faltando determinada quantia. A pessoa se desculpa: sou de Humanas (Letras), e entrega o que falta. Todos riem. Situação comum. Piada ordinária. Em contrapartida, é difícil encontrar algum profissional de Exatas se desculpando por não saber a ortografia de uma palavra, por exemplo. Ele não sente vergonha de sua área de conhecimento, socialmente prestigiada. Os de Humanas é que não sabem contar, vivem numa realidade alternativa, repleta de alucinógenos e miçangas, veem suas disciplinas “inúteis” ameaçadas de serem cortadas de currículos para dar espaço às “mais importantes” (...)

Toda família se orgulha de ver suas proles passarem para universidades públicas em Medicina, Engenharia, Direito, etc. Quando a notícia é de que o jovem decidiu seguir a carreira em História, Filosofia, Letras, ou pior, Música, Artes Cênicas, a reação costuma ser bem diferente. Frases desestimulantes como “Mas você é tão inteligente, poderia escolher qualquer profissão!”, “Isso não serve pra nada” e “Vai ganhar mal” são frequentes. Como se satisfação pessoal não contasse para nada. Como se não houvesse possibilidade de sucesso em qualquer profissão. Como se toda área de conhecimento não fosse válida. Como se, no final das contas, todos não fossem morrer e ir para o mesmo buraco, inevitavelmente, e isso não fizesse a menor diferença.

Desde o seu reconhecimento como ciência, os estudos voltados às humanidades lutam para manter a respeitabilidade académica. Dentro de uma lógica capitalista utilitarista, é difícil provar que a arte tem seu valor. Os valores, entretanto, podem mudar. Na Grécia Antiga, médico era profissão de escravo, enquanto filósofo era uma das funções mais valorizadas. Os grandes pensadores, aliás, não se limitavam a estudar apenas uma área, atuavam em várias vertentes, passando de números a letras. Na modernidade, a delimitação rígida das disciplinas engessou o pensamento. Apesar de a interdisciplinaridade ser atualmente defendida, poucas ações são postas de fato em prática. O ensino se mantém tradicional, tecnicista, pouco atrativo. Os alunos decoram a matéria para passar, obtendo o mínimo que lhes é exigido. Quando muito, identificam-se com uma das áreas e passam a odiar as outras.

Com isso, só formamos pessoas rasas e frustradas, que acreditam que dinheiro e prestígio preencherão o vazio deixado pela falta de interesse pessoal nos estudos, no trabalho. Dinheiro e prestígio deveriam ser consequências naturais de um desempenho profissional de qualidade, não de uma escolha baseada em cobranças sociais. Não existe caminho fácil. Podemos tentar pelo menos tomar aquele que nos traz um mínimo (ou um máximo) de satisfação. E ser respeitados por isso.

Todas as profissões são dignas. Todo conhecimento é legítimo. Nenhuma ciência é de fato exata, pois sempre lida com hipóteses. Brincadeiras à parte, essa rivalidade entre Humanas e Exatas não é produtiva, pois traz consigo os estereótipos e preconceitos socialmente perpetuados. Sim, sou de Humanas. Me orgulho disso. E sei contar. Obrigada.

Adaptado de:
Fontes: http://homoliteratus.com/sou-de-humanas-mas-sei-contar/

22/07/2016

5 tipos de livros que aumentam sua inteligência

Veja quais tipos de livro não podem faltar na sua coleção para que você aprenda mais
Fonte: Shutterstock

A leitura é uma das maneiras mais eficazes de adquirir conhecimentos e melhorar o desenvolvimento pessoal, profissional e académico. Na era da internet, milhões de livros e materiais de leitura estão disponíveis na rede, muitos de forma totalmente gratuita, o que facilita o acesso às obras e aos mais diferentes tipos de textos.

Para garantir um aprendizado mais completo por meio da leitura, a dica é aproveitar o tempo livre para devorar as páginas de livros de diferentes assuntos. Além de conhecer novos temas, você poderá experimentar linguagens e abordagens que nunca antes teve contacto.

A seguir, confira 5 tipos de livros para aumentar sua inteligência e que não podem ficar de fora da sua coleção:

1. Livros de Ciência
Quando falamos em livros de ciência, não nos referimos apenas a materiais científicos, escritos com linguagem específica e repleta de termos técnicos, mas àqueles que ofereçam ensinamentos sobre o mundo em que vivemos. Isso inclui livros sobre a evolução da sociedade, que expliquem grandes eventos naturais, como o Big Bang, entre outros assuntos. 
A vantagem desse tipo de leitura é que aprendemos como um fato deve ser investigado, para que as evidências sejam comprovadas com relevância. Esse tipo de conhecimento pode ser aplicado no seu dia a dia, seja no trabalho ou na universidade.

2. Livros de Filosofia
No passado, a ciência e a filosofia são ambas fruto do pensamento analítico. Se a ciência nos ensina como entender o mundo e seus acontecimentos, a filosofia ajuda a compreender o que se passa dentro de nós mesmos. Dentro da categoria de livros de filosofia podem estar diversos tipos de obras, que vão de religião a política, sempre analisando as necessidades, desejos e o comportamento humano.

3. Livros de Ficção
As obras de ficção são muito mais do que histórias inventadas. Os grandes livros de ficção ajudam o leitor a experimentar uma realidade completamente diferente da sua e criar experiências que aumentam seu nível de consciência sobre o mundo. Além disso, muitos delas contêm diversas informações reais sobre ciência, história, filosofia e outros temas. O escritor norte-americano Truman Capote, famoso pelas obras A Sangue Frio e Bonequinha de Luxo, costumava dizer que um bom romance pode valer mais que um estudo científico.

4. Livros de História
Os livros de história podem parecer massantes, mas narram os fatos mais interessantes e emblemáticos que já aconteceram com a humanidade. Quando lemos uma obra histórica, além de aprender sobre o passado, também fazemos conexões com o presente e conseguimos entender como a nossa sociedade se tornou o que é hoje. Com eles, percebemos que pensamentos e ideias são imortais.

5. Livros de Poesia
Ler livros de poesia pode ser um grande desafio para aqueles que não estão acostumados, por conta da escrita mais rebuscada e da enorme presença de figuras de linguagem. Mas são justamente essas duas características que toram os textos poéticos tão interessantes e importantes para o nosso aprendizado. Por meio dessas obras conseguimos desenvolver a admiração pelo poder da palavra, além de exercitar nossa mente para desvendar os mistérios e mensagens por trás das rimas e das metáforas.